Sobre eu, nós e nossos cavalos
Já me basta ter enfrentado o sofrimento de nascer
Para viver quero conforto
Se houver frio, aquecimento
Se houver calor, todas as possibilidades de me
refrescar
Ah! Quero também comida boa, daquelas com sabores
bem marcantes
Assim como as paixões
Quero prazeres, gargalhadas, saciedade de todas as
faltas
Reconhecimento por tudo que faço, não ser
contrariado
E... assim me sinto tão... mas ainda insatisfeito
Parece que há uma exigência de querer sempre
mais...
Mais e mais e mais
O estranho é quando bate o vazio
Dez cavalos em disparada?
Às vezes me parecem 10 mil...
Correm, correm, correm atrás das ilusões movidos
pela intensidade
Mas de repente, há um cansaço
Começam a diminuir o ritmo
Eu que sou dona, mas nem sempre os comando
Observo uma multidão de cavalos perdidos e de
pessoas (algumas desesperadas, outras convictas... mas todas de alguma forma me
parecem vazias de algo)
Então, sento acompanhada da multidão de cavalos e
me pergunto: o que estamos fazendo aqui?
OBS: Essa poesia foi feita especialmente para um trabalho do Curso de Yoga em 2014.
Para o Yoga, a mente tem camadas, uma delas é a camada consciente - a camada do Desejo. Para isso comparam que nossos desejos são disparados pelos membros sensoriais e motores como se fossem dez cavalos em disparada. Na novela Caminho das Índias tem uma passagem que o personagem do Lima Duarte diz que os desejos são como cavalos selvagens, a carruagem somos nós e a mente é o cocheiro. Indicação de livro: Meditação e os segredos da Mente - Avadhútika Ánandamitra Ácarya - Editora Ananda Marga.

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